Não guarde para si. Partilhe!

«Ridícula, trágica ou ambas as coisas.» Foi assim que, pouco depois dos acontecimentos, o inspectorgeral da CIA, Lyman Kirkpatrick, classificou a acção militar dos EUA na Baía dos Porcos, num relatório que se manteve secreto até 1998.

Coordenada pela CIA, a Operação Zapata teve o seu prelúdio a 14 de Abril de 1961. Aviões norte-americanos pilotados por cubanos exilados tentaram, em vão, aniquilar a força aérea cubana em terra para permitir o desembarque, três dias depois, de um exército clandestino na Baía dos Porcos.

Eram 1 400 homens, quase exclusivamente cubanos exilados, treinados pela CIA na Guatemala.

Baia_dos_porcos_capturados

Resultado da tentativa de invasão de Cuba: 1 189 prisioneiros, 114 mortos e uma estrondosa derrota para a política externa dos EUA.

O desaire não chegou a durar 72 horas e o exército cubano e as milícias populares capturaram 1 189 invasores e mataram 114.

A Brigada Asalto 2506 não resistiu o tempo suficiente para fazer desembarcar na praia o «governo» no exílio. Segundo o planeado, este deveria, então, pedir ajuda, via rádio, aos Estados Unidos. Para poder justificar uma intervenção militar sua, os EUA teriam de receber um pedido de ajuda vindo de território cubano de um «governo legítimo».

O Presidente John F. Kennedy herdou esta operação do seu antecessor, Dwight Eisenhower, e teve de dar a cara por ela quando ainda nem tinha completado três meses na Casa Branca.

O relatório fala de erros e incompetência, de ignorância, omissões, azares e falta de coordenação. Os voluntários eram indisciplinados e estavam mal equipados apesar de um orçamento que subiu de 4,4 para 46 milhões de dólares. E, na verdade, a CIA desconhecia a situação política interna em Cuba, ao presumir que a acção iria desencadear um levantamento popular contra Fidel Castro. A CIA, escreveu Kirkpatrick, enganara-se a si própria e a Kennedy, ao dizer que a invasão colocaria em marcha um movimento de resistência anticastrista de mais de 30 mil pessoas.